Ludibriei a minha mente com imagens utópicas, com pensamentos inexistentes...assim você surgiu, mergulhado em quimeras, e eu, afogando-me nelas.





Alvoreço quando o dia chega com o todo seu esplendor. Fico agitada, como a ressaca de um mar em seus movimentos de queda e recuo de suas ondas.

Sinto fluir, do mais profundo das minhas águas, tudo que trago latente no âmago do meu mar...são despojos que trago dentro de mim, sentimentos que fazem doer até a essência do ser que sou.
Acho que ainda estou detida sob o sol do teu olhar.

Não é derme, é alma...

Não há ressentimentos, são lembranças, momentos saudosos impossíveis de esquecer...
Ainda não há pontos finais em meu corpo só, interrogações que fizeram amizades com minhas reticências...










Ainda te espero amor;
ao findar o dia, nas manhãs atarefadas,
nas tardes caladas, te espero.

Nas vigílias, no frio da madrugada
retirada do mundo, te aguardo.

Enquanto a noite expelir do seu útero o sol
e houver ocasos no dia,
continuarei esperando que a vida
um dia de mim se compadeça,
e te traga aos meus braços,
para que de amor eu não feneça. 


                                                            
   


Um abraço, daqueles apertados, que você sente o gosto da alma, sente a essência do ser que te envolve nos braços, no aconchego daquele doce abraço...
Era assim em anos passados,
hoje teu peito bate sozinho e ainda precisas mendigar carinho de quem um dia parecia amar-te acima das linhas do destino.
Somos almas de sentimentos coletivos, não dá para viver nessa vida sem dar nem receber carinho.


Mila Lopes

Fica pra você, fica de presente todos os sorrisos...
Deixa que eu fico com todas as lágrimas, toda dor que senti quando você foi embora...
 
Fica, fica com teus pensamentos pequenos que eu fico com a saudade, que é uma prova que realmente passamos pela vida...
 
Aproveita e fica também com essa liberdade de corpo que eu vou ganhar asas com minha alma e vou viver a verdadeira liberdade que é estar preso a alguém.

 
Mila Lopes
 



Meus dias insistem em anoitecer,
o sol, preso em minhas entranhas,
não deseja nascer.
      O meu silêncio é introspecção, os teus lábios silentes são instrumentos afiados, 
são gumes laminados apontados para o meu peito.
Se não vai abrigar meu corpo ao teu não me leve a ti, não quero aprender um caminho por onde terei que retornar.



Mila Lopes





Hoje ela veio sobre mim,
Como um cobertor, envolveu-me
Dos pés a cabeça...
Minha pulsação parecia fraca, 
Meu olhar fixo no nada.

Não, não era a namorada suicida

De Hamlet que relatava o seu último dia,
Ofélia teve mais coragem,
Deixou sua dor exposta,
Apenas a extirpou
De forma equivocada.

Nunca havia sentido algo tão

Profundo como aquela tristeza.
Desejei contemplar o brilho das estrelas,
Mas ela envolvia-me com gentileza
Como se a minha alma fosse dela.

Queria apreciar o nascer,

O ocaso, mas meu cobertor
Era somente escuridão.
Algo dentro em mim pulsava, com fraqueza, 
Mas ainda tinha frequência, era meu coração...



Mila Lopes